Nyck Ribeiro
Estagiário de Jornalismo
Casil Work & Study
Existem pessoas que não nasceram para usar terno e gravata. Não foram feitas pra viver sob uma metodologia barata para o mesmo maçante cotidiano de sempre, com um emprego mais ou menos que paga suas contas somado ao estresse com o trânsito parado que atrasa sua chegada em casa. Para pessoas que optaram por viver dentro de um carro à beira-mar durante quatro meses, acordando às 6 da manhã para surfar nas praias australianas de Margaret River e trabalhar em um vinhedo, a vida é muito mais do que isso. Bernardo Moletta definitivamente não nasceu pra ser enjaulado pelo estilo de vida consumista e competitiva do qual estamos habituados.
Aos 23 anos, tendo morado na Austrália, feito viagens à Indonésia e Tailândia, além de ter um currículo diversificado, que vai de trabalhos em obras, em madeireira, em restaurante e em matadouro, o gaúcho ousado agora encara uma nova aventura: cursar uma universidade inglesa. Há poucas semanas em Nottingham, Bernardo tem se adaptado à vida acadêmica no curso de Tecnologia da Música, com duração de dois anos, pelo Instituto Confetti de Tecnologias Criativas, em Nottingham, que será estendido no terceiro ano junto à Universidade Demontfort, em Leicester. Em tão pouco tempo, o músico bem humorado diz não ter passado por nada inusitado por enquanto, só ressaltando um pontinho negativo no curso da faculdade: “O único problema é que no meu ano do curso tem três mulheres e 50 homens!”. Mas isso dá pra superar, já que a paixão por música é algo bem maior.

Resgatando suas vivências iradas, tendo como pano de fundo as paisagens mais fantásticas do exterior, Bernardo fez de sua vida uma incrível história junto com a Casil Work & Study – www.casilworkstudy.com.br Viajou em 2008 para Sydney sem medo do que estava por vir. Foi morar com um amigo, e por vezes, tinha como residência o litoral australiano, vivendo nas praias de Manly e Narrabeen. Como tem cidadania italiana, o surfista teve que cumprir uma exigência legal do visto concedido pelo governo australiano, exercendo atividades em fazendas e outras na área rural, pois só assim ele poderia conseguir autorização para ficar no país. Foi aí que surgiu o “invejável” emprego numa cidade próxima à Byron Bay em um matadouro, que rendia secreções no rosto a cada facada em uma “buchada” de boi. Como conseqüência da crise mundial, Bernardo saiu desse emprego, e acabou parando em um local totalmente inverso ao da sua última experiência: uma fazenda de vegetarianos. Lá o ambiente era mais tranqüilo, e o contato com animais era mais pacífico, chegando ao ponto de haver rãs que tomavam banho em tigelas de sopa postas na pia de louça. O dono da fazenda, que não matava uma mosca para não alterar o equilíbrio ambiental, ganhava cerca de mil dólares australianos mensais do governo para plantar bananas.
Em 2009, seu segundo ano na Austrália, Bernardo foi morar no lado oposto do país, na costa oeste, em Perth, onde geralmente tocava seu violão em bares e nas ruas, atraindo a atenção dos que transitavam para os sambas de raiz. Daí, após um breve retorno ao Brasil, até a faculdade de música em Nottingham não demorou muito. Ficou um tempo em um albergue, e se mudou há pouco para a casa de uma senhora, juntamente com duas estudantes finlandesas. Com o novo cenário, o surfista teve que trocar a prancha por uma bicicleta comprada em uma loja de caridade.
Já com a cabeça de estrangeiro, Bernardo não se vê mais morando no Brasil. Talvez o território brasileiro seja pequeno para quem tem um mundo para conquistar. A felicidade pode não estar em roupas caras ou em um celular novo, e sim em uma viagem sem destino, no prazer de novas amizades e novas experiências, em ver o nascer do sol numa praia, sem esquecer o futuro profissional. Bernardo é a confirmação de que a graça da vida está em momentos únicos, e não dentro de um caixa eletrônico.










